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Procrastinação: a mania de deixar tudo pra depois

procrastinação
Escrito por Daniela Faertes
A palavra procrastinar vem do latim procrastinatus – pro (para frente) e crastinus (de amanhã) e significa “prorrogar para outro dia” ou “usar de delongas”. O hábito de postergar tarefas ou ações é chamado de procrastinação, ação que pode trazer uma série de problemas para quem sofre com o costume de deixar tudo para depois.
Não existe uma causa específica para o surgimento da procrastinação, mas, ele é tido como um comportamento aprendido e não inato – ou seja, a pessoa não nasce com ele. A procrastinação é comum em homens e mulheres e pode se desenvolver desde a vida escolar do indivíduo, com a observação de atraso nas lições de casa e outros há
bitos nocivos.
Embora pareça uma coisa simples, uma característica inocente de algumas pessoas, ou até mesmo, uma espécie de “preguiça” ou ritmo em agir mais lento, a procrastinação é um comportamento que pode prejudicar – e muito – a vida das pessoas.
As consequências do hábito de procrastinar podem se r tanto externas, causando problemas no trabalho, em casa e nos relacionamentos; como internas, provocando sentimentos de baixa autoestima, angústia, preocupação e estresse. Normalmente, os procrastina dores estão sempre envolvidos em trabalhos ou questões inacabadas e listas de tarefas não cumpridas. Além disso, eles costumam não executar o que foi proposto e adiar uma série de compromissos.
Porém, apesar dos efeitos negativos que a procrastinação pode trazer à vida de uma pessoa, é importante não confundir a necessidade de “não deixar para depois o que você pode fazer agora” com impulsividade. Postergar
uma tarefa ou decisão para refletir um pouco mais sobre o assunto e ter a certeza de que o caminho “X” é mais adequado do que o “Y”, por exemplo, muitas vezes, é essencial, e demonstra cuidado e cautela.
Nesse caso, a é a impulsividade em resolver as coisas com urgência que pode causar problemas. Por conta disso, é importante saber diferenciar uma atitude de procrastinação de uma cautelosa. Para você não ficar na dúvida, seguem
algumas dicas e perguntas para que reflita sobre o assunto e analise qual é o seu caso:
– É importante saber que tipo de procrastinador você é: o que você costuma adiar? Por que você posterga? Isso é recent e ou já vem de muitos anos?
– Você se considera uma pessoa perfeccionista? A alta expectativa e a espera pelas condições ideais paralisam quem possui esse perfil. Os perfeccionistas tendem a achar que ser diferente desse comportamento é igual à mediocridade ou desleixo, ou fazer as coisas “de qualquer jeito”. Esse é o outro extremo. A ideia é ser mais realista e flexível e, de forma nenhuma, se tornar o oposto. Pergunta: O que de pior pode acontecer se as coisas não saírem exatamente como você previa? Você é capaz de lidar com isso?
– Você adia tarefas menores ou mais simples que podem ser deixadas para depois, sem causar grandes consequências? Pergunta: Alguém as fará por você? Algum dia elas, efetivamente, terão que ser cumpridas?
– Costuma adiar grandes projetos ou tarefas mais complexas, que serão expostos a outras pessoas, ou de muita responsabilidade, que possam gerar um grande impacto? Pergunta: Do que você tem medo? Do desconhecido, do julgamento, de cometer erros?
Má organização e “erro de cálculo”: neste caso, o procrastinador se propõe a cumprir tarefas em um espaço de tempo insuficiente, ou ele não possui uma metodologia de organização e, por conta disso, fica sempre “enrolado”, sem sair do lugar. Para não cair nesta “armadilha”, crie um método próprio de organização. Existem diversas man
eiras de se organizar. É muito comum o procrastinador, nessa tentativa, aderir a planilhas complexas e outros meios que servem para muitos, mas não para ele. Algo mais simples pode acabar sendo mais funcional. Essa descoberta deve ser por meio de experimentação. Crie uma planilha e verifique, diariamente, a lista de coisas a fazer, prazos, programação e agenda. Para algumas pessoas, a ideia de criar um prazo pode ser eficiente. Pergunta: O que pode funcionar para você?
– Que consequências esse comportamento vem acarreta ndo para você e para as pessoas a sua volta?
– Identifique, se possível, os pensamentos que surgem quando você resolve não fazer algo em um momento específico como: “não vou conseguir”; “amanha eu faço”; “não sei fazer”; “segunda eu começo”, “no fim de semana vou estar mais livre”.
– Que tipo de emoção você sente quando não faz o que deve ser feito ou quando pensa nas consequências disso? Isso traz ansiedade, frustração ou tristeza? Caso tenha se identificado com alguns dos fatores acima, comece a se
engajar na superação de alguns desafios para vencer a procrastinação como: se organizar de forma viável, superar medos e ansiedades e ser mais flexível consigo mesmo, dentro de possibilidades reais. Se a procrastinação atrapalhar muito a sua vida, procure um psicólogo. Ele vai saber te ajudar.

Sobre a autora

Daniela Faertes

Daniela Faertes é psicóloga, especialista em terapia cognitiva e mudança de comportamentos prejudiciais. Formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) se especializou em renomados institutos nos Estados Unidos da América.

Especializou-se também pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), IPUB – UFRJ e Instituto Albert Einstein em temas específicos. Atuou no Serviço de Psiquiatria da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e, como supervisora, coordenou o núcleo de tabagismo e criou o setor de amor patológico. Atualmente, é uma das pioneiras em trazer para o Brasil os novos modelos e técnicas de Psicoterapia Cognitiva (Dialectical behavioral Therapy, ACT, Mindfullness).

É membro da American Cognitive Therapy Association e professora convidada da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro da graduação e pós-graduação e clinica nas áreas de mudança comportamental, bem-estar, transtornos psiquiátricos, dependência química e outras compulsões.

Além disso, possui ainda trabalho voltado para as áreas do comportamento social (relacionamentos disfuncionais, orientações para pais, novas famílias, dinâmicas empresariais e coaching).

Atuou como psicóloga do projeto Humaniza SUS, do Ministério da Saúde, com foco em mudança de comportamento institucional e qualidade de vida. Conferencista de congressos nacionais e internacionais.

Hoje, é Diretora do Espaço Ciclo no Rio Janeiro, palestrante e supervisora clínica e de Grupos de Estudo em Terapia Cognitivo. Busca manter-se em constante reciclagem, sendo audiência ativa no New York Academy of Medicine, Albert Ellis Institute e Addiction Institute, Beck Institute (PA).

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